← Obras

A LONA DA ILUSÃO

A LONA DA ILUSÃO, 2025 — Corre-Pé

No circo, nem tudo o que se vê se revela por inteiro. Por detrás da cor, dos gestos e da promessa de espetáculo, existe um território onde o fascínio se cruza com o desconhecido. No centro da pintura, uma tenda vermelha parece ganhar vida. Os olhos espalhados pela sua superfície observam quem se aproxima e transformam aquilo que deveria ser um abrigo para o espetáculo numa presença vigilante. A abertura da frente deixa entrever um trapézio suspenso no vazio, enquanto, por detrás da lona, o apresentador surge meio escondido, entre o convite e a ameaça. À volta da tenda acumulam-se figuras humanas e criaturas de formas híbridas. Os corpos alongados, os rostos expressivos e os gestos acentuados afastam-se de qualquer representação realista. No canto inferior direito, uma criança espreita por baixo da lona e aproxima-se de um mundo que parece prometer maravilhas, mas que nunca se deixa conhecer por completo. O vermelho domina a composição, em diálogo com azuis intensos, amarelos e contrastes de branco e preto. Os contornos marcados e a sobreposição das figuras criam uma atmosfera teatral, onde cada personagem parece ocupar um lugar entre o que se mostra e o que fica escondido. O título coloca os sonhadores sob o olhar da própria tenda. Quem observa o espetáculo? Quem é observado? E o que existe para lá daquilo que nos é permitido ver? Em A Lona da Ilusão, onde o Mistério Vigia os Sonhadores, o circo vai além da imagem habitual do divertimento. A lona separa dois mundos, mas também desperta a vontade de atravessar essa fronteira. Talvez seja precisamente aí, entre a curiosidade e o desconhecido, que a ilusão começa.

Ano
2025
Técnica
Acrílico sobre Tela
Dimensões
100 × 100 cm
Estado
Disponível
Preço sob consulta

Respondemos pessoalmente até ao próximo dia útil.

Corre-Pé
Sobre o artista

Corre-Pé

Nasceu em 1968, Barreiro, Portugal · Vive e trabalha em Lisboa, Portugal

Há pintores que retratam pessoas. Corre-Pé pinta aquilo que as pessoas carregam por dentro. Artista contemporâneo português, com atelier em Alhos Vedros, Corre-Pé cresceu com a pintura por perto desde muito cedo. Foi em 2000 que decidiu levá-la a sério, e desde então nunca mais parou de questionar, investigar e afinar a sua própria linguagem. Hoje identifica o seu trabalho como Contemporary Social Art, uma pintura que olha para a identidade, para os comportamentos coletivos, para as relações humanas e para aquilo que nos torna humanos. A figura humana está no centro de tudo. Corre-Pé deforma-a, multiplica-a e envolve-a em linhas expressivas e cores primárias intensas, o vermelho, o azul e o amarelo que se tornaram a sua marca. Das tascas ao fado, da mesa partilhada às grandes questões da condição humana, as suas telas transformam cenas do quotidiano português em imagens simbólicas, cheias de energia, humor e inquietação. O processo é tão singular como o resultado. Antes da tinta, há sempre palavras. Notas, memórias, conversas e observações que depois ganham corpo diretamente na tela, quase sem esboços, deixando espaço para a intuição e para o inesperado. O percurso confirma a força desta linguagem. Em 2026 foi distinguido na The Christie’s Owners Collection e selecionado como finalista do Premio Brera, em Milão, com a obra Transformação, inspirada em A Metamorfose de Kafka. Foi ainda finalista do III Concurso de Pintura Ciudad de Martos (2025), recebeu uma Menção Honrosa no Dama de Oro Prize (2024) e o Prémio Revelação na Exporádico, em Alhos Vedros (2016). Expôs individualmente no Museu Nacional Ferroviário, na Galeria Municipal de São Brás de Alportel, na Galeria Geraldes da Silva e no Núcleo Museológico de Favaios, e participou em exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro, de Lisboa a Miami. As suas obras fazem parte de coleções privadas em Portugal, na Suíça e na América do Norte.

Zoom in

Subscreva a nossa newsletter

Seja o primeiro a saber dos nossos eventos, exposições, artistas e muito mais.