O CERNE DA QUESTÃO

De onde vem a necessidade humana de explicar a própria origem? Entre Adão e Eva, a cobra e a maçã, persistem crenças, interrogações e interpretações que atravessam gerações. Em O Cerne da Questão, estas referências bíblicas não servem para recontar uma história, mas para questionar aquilo que aceitamos como verdade e o momento em que começamos a duvidar. No canto superior direito, Adão e Eva remetem para o imaginário da criação. Perto deles, uma figura feminina mascarada introduz uma presença enigmática. Ao centro, uma figura feminina destaca-se entre corpos, animais e formas híbridas, num conjunto de personagens que se cruzam e sobrepõem, sem obedecer a uma narrativa linear. O vermelho, o azul e o amarelo dominam a composição. Os contrastes cromáticos, os contornos expressivos e a sobreposição das figuras criam um espaço denso e inquieto, onde o olhar percorre diferentes presenças sem encontrar uma ordem definitiva. A origem permanece como pergunta, não como conclusão. Talvez o cerne da questão não esteja apenas em descobrir de onde viemos, mas em compreender por que razão precisamos de encontrar uma explicação para tudo aquilo que desconhecemos.
- Ano
- 2024
- Técnica
- Acrílico sobre Tela
- Dimensões
- 80 × 100 cm
- Estado
- Disponível
Respondemos pessoalmente até ao próximo dia útil.

Corre-Pé
Há pintores que retratam pessoas. Corre-Pé pinta aquilo que as pessoas carregam por dentro. Artista contemporâneo português, com atelier em Alhos Vedros, Corre-Pé cresceu com a pintura por perto desde muito cedo. Foi em 2000 que decidiu levá-la a sério, e desde então nunca mais parou de questionar, investigar e afinar a sua própria linguagem. Hoje identifica o seu trabalho como Contemporary Social Art, uma pintura que olha para a identidade, para os comportamentos coletivos, para as relações humanas e para aquilo que nos torna humanos. A figura humana está no centro de tudo. Corre-Pé deforma-a, multiplica-a e envolve-a em linhas expressivas e cores primárias intensas, o vermelho, o azul e o amarelo que se tornaram a sua marca. Das tascas ao fado, da mesa partilhada às grandes questões da condição humana, as suas telas transformam cenas do quotidiano português em imagens simbólicas, cheias de energia, humor e inquietação. O processo é tão singular como o resultado. Antes da tinta, há sempre palavras. Notas, memórias, conversas e observações que depois ganham corpo diretamente na tela, quase sem esboços, deixando espaço para a intuição e para o inesperado. O percurso confirma a força desta linguagem. Em 2026 foi distinguido na The Christie’s Owners Collection e selecionado como finalista do Premio Brera, em Milão, com a obra Transformação, inspirada em A Metamorfose de Kafka. Foi ainda finalista do III Concurso de Pintura Ciudad de Martos (2025), recebeu uma Menção Honrosa no Dama de Oro Prize (2024) e o Prémio Revelação na Exporádico, em Alhos Vedros (2016). Expôs individualmente no Museu Nacional Ferroviário, na Galeria Municipal de São Brás de Alportel, na Galeria Geraldes da Silva e no Núcleo Museológico de Favaios, e participou em exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro, de Lisboa a Miami. As suas obras fazem parte de coleções privadas em Portugal, na Suíça e na América do Norte.



