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O CERNE DA QUESTÃO

O CERNE DA QUESTÃO, 2024 — Corre-Pé

De onde vem a necessidade humana de explicar a própria origem? Entre Adão e Eva, a cobra e a maçã, persistem crenças, interrogações e interpretações que atravessam gerações. Em O Cerne da Questão, estas referências bíblicas não servem para recontar uma história, mas para questionar aquilo que aceitamos como verdade e o momento em que começamos a duvidar. No canto superior direito, Adão e Eva remetem para o imaginário da criação. Perto deles, uma figura feminina mascarada introduz uma presença enigmática. Ao centro, uma figura feminina destaca-se entre corpos, animais e formas híbridas, num conjunto de personagens que se cruzam e sobrepõem, sem obedecer a uma narrativa linear. O vermelho, o azul e o amarelo dominam a composição. Os contrastes cromáticos, os contornos expressivos e a sobreposição das figuras criam um espaço denso e inquieto, onde o olhar percorre diferentes presenças sem encontrar uma ordem definitiva. A origem permanece como pergunta, não como conclusão. Talvez o cerne da questão não esteja apenas em descobrir de onde viemos, mas em compreender por que razão precisamos de encontrar uma explicação para tudo aquilo que desconhecemos.

Ano
2024
Técnica
Acrílico sobre Tela
Dimensões
80 × 100 cm
Estado
Disponível
Preço sob consulta

Respondemos pessoalmente até ao próximo dia útil.

Corre-Pé
Sobre o artista

Corre-Pé

Nasceu em 1968, Barreiro, Portugal · Vive e trabalha em Lisboa, Portugal

Há pintores que retratam pessoas. Corre-Pé pinta aquilo que as pessoas carregam por dentro. Artista contemporâneo português, com atelier em Alhos Vedros, Corre-Pé cresceu com a pintura por perto desde muito cedo. Foi em 2000 que decidiu levá-la a sério, e desde então nunca mais parou de questionar, investigar e afinar a sua própria linguagem. Hoje identifica o seu trabalho como Contemporary Social Art, uma pintura que olha para a identidade, para os comportamentos coletivos, para as relações humanas e para aquilo que nos torna humanos. A figura humana está no centro de tudo. Corre-Pé deforma-a, multiplica-a e envolve-a em linhas expressivas e cores primárias intensas, o vermelho, o azul e o amarelo que se tornaram a sua marca. Das tascas ao fado, da mesa partilhada às grandes questões da condição humana, as suas telas transformam cenas do quotidiano português em imagens simbólicas, cheias de energia, humor e inquietação. O processo é tão singular como o resultado. Antes da tinta, há sempre palavras. Notas, memórias, conversas e observações que depois ganham corpo diretamente na tela, quase sem esboços, deixando espaço para a intuição e para o inesperado. O percurso confirma a força desta linguagem. Em 2026 foi distinguido na The Christie’s Owners Collection e selecionado como finalista do Premio Brera, em Milão, com a obra Transformação, inspirada em A Metamorfose de Kafka. Foi ainda finalista do III Concurso de Pintura Ciudad de Martos (2025), recebeu uma Menção Honrosa no Dama de Oro Prize (2024) e o Prémio Revelação na Exporádico, em Alhos Vedros (2016). Expôs individualmente no Museu Nacional Ferroviário, na Galeria Municipal de São Brás de Alportel, na Galeria Geraldes da Silva e no Núcleo Museológico de Favaios, e participou em exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro, de Lisboa a Miami. As suas obras fazem parte de coleções privadas em Portugal, na Suíça e na América do Norte.

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