TODOS GOSTAM TODOS COMEM

O pão reúne à sua volta diferentes formas de vida. É alimento, trabalho e conhecimento passado de geração em geração, mas é também uma necessidade que nem todos conseguem satisfazer da mesma maneira. No centro da pintura, uma mulher de xaile e lenço na cabeça amassa o pão. À sua volta, figuras humanas e animais partilham o mesmo espaço e aproximam-se deste alimento essencial. No canto inferior esquerdo, o fogo assinala a transformação da massa em pão. Do lado oposto, uma figura de mãos estendidas traz uma presença diferente, a de quem procura aquilo de que precisa para viver. As personagens, de formas expressivas e contornos marcados, ligam-se numa composição intensa, dominada pelo vermelho, pelo azul e pelo amarelo. A cor acentua os contrastes entre as figuras e dá movimento ao conjunto, mantendo a mulher e o seu gesto no centro do olhar. Em Todos Gostam, Todos Comem, o pão vai além da sua condição de alimento. Liga a tradição do trabalho manual à necessidade comum de sustento e aproxima seres diferentes através daquilo de que todos dependem. Mas o título guarda também uma pergunta: se todos precisam de comer, estarão todos em condições de o fazer? É nessa distância entre uma necessidade universal e a possibilidade real de a satisfazer que a obra encontra a sua dimensão social.
- Ano
- 2024
- Técnica
- Acrílico sobre Tela
- Dimensões
- 80 × 100 cm
- Estado
- Disponível
Respondemos pessoalmente até ao próximo dia útil.

Corre-Pé
Há pintores que retratam pessoas. Corre-Pé pinta aquilo que as pessoas carregam por dentro. Artista contemporâneo português, com atelier em Alhos Vedros, Corre-Pé cresceu com a pintura por perto desde muito cedo. Foi em 2000 que decidiu levá-la a sério, e desde então nunca mais parou de questionar, investigar e afinar a sua própria linguagem. Hoje identifica o seu trabalho como Contemporary Social Art, uma pintura que olha para a identidade, para os comportamentos coletivos, para as relações humanas e para aquilo que nos torna humanos. A figura humana está no centro de tudo. Corre-Pé deforma-a, multiplica-a e envolve-a em linhas expressivas e cores primárias intensas, o vermelho, o azul e o amarelo que se tornaram a sua marca. Das tascas ao fado, da mesa partilhada às grandes questões da condição humana, as suas telas transformam cenas do quotidiano português em imagens simbólicas, cheias de energia, humor e inquietação. O processo é tão singular como o resultado. Antes da tinta, há sempre palavras. Notas, memórias, conversas e observações que depois ganham corpo diretamente na tela, quase sem esboços, deixando espaço para a intuição e para o inesperado. O percurso confirma a força desta linguagem. Em 2026 foi distinguido na The Christie’s Owners Collection e selecionado como finalista do Premio Brera, em Milão, com a obra Transformação, inspirada em A Metamorfose de Kafka. Foi ainda finalista do III Concurso de Pintura Ciudad de Martos (2025), recebeu uma Menção Honrosa no Dama de Oro Prize (2024) e o Prémio Revelação na Exporádico, em Alhos Vedros (2016). Expôs individualmente no Museu Nacional Ferroviário, na Galeria Municipal de São Brás de Alportel, na Galeria Geraldes da Silva e no Núcleo Museológico de Favaios, e participou em exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro, de Lisboa a Miami. As suas obras fazem parte de coleções privadas em Portugal, na Suíça e na América do Norte.



